Horário eleitoral gratuito começa em 28 de agosto e coloca Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Augusto Cury frente a frente com o eleitor

A eleição presidencial de 2026 entra nesta semana em uma nova fase. A partir da próxima sexta-feira (28), os eleitores brasileiros voltarão a acompanhar os candidatos à Presidência da República no rádio e na televisão por meio do horário eleitoral gratuito.

A propaganda seguirá até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda eleitoral no rádio e na televisão será exibida dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral, com programas em rede e inserções distribuídas ao longo da programação das emissoras.

A chegada da televisão e do rádio representa um dos momentos mais importantes da campanha. Até agora, boa parte da disputa presidencial vem sendo travada nas redes sociais, em entrevistas, debates e eventos políticos. Com a propaganda gratuita, os candidatos passam a ter uma ferramenta diária para apresentar propostas, defender suas posições e tentar conquistar o eleitor indeciso.

Apenas quatro terão tempo nos blocos

Apesar de haver outros candidatos na disputa presidencial, somente quatro conseguiram preencher os requisitos previstos na legislação eleitoral para ter direito ao tempo de propaganda nos blocos de rádio e televisão.

São eles:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Flávio Bolsonaro (PL)
  • Ronaldo Caiado (PSD)
  • Augusto Cury (Avante)

O cálculo considera a representatividade dos partidos e federações no Congresso Nacional e os critérios da cláusula de desempenho.

Os demais candidatos — Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Edmilson Costa (PCB), Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU) e Pablo Marçal (PRTB) — não terão tempo próprio nos blocos de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Isso, porém, não significa que estejam impedidos de fazer campanha. A propaganda eleitoral em outros meios, inclusive na internet, está autorizada desde 16 de agosto, respeitando as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Lula terá maior espaço

Entre os quatro candidatos com direito à propaganda nos blocos, Lula terá a maior exposição.

O candidato do PT contará com 5 minutos e 31 segundos por bloco. Na sequência aparece Flávio Bolsonaro, com 4 minutos e 20 segundos.

Ronaldo Caiado terá 2 minutos e 2 segundos, enquanto Augusto Cury terá 35 segundos.

Somados, Lula e Flávio concentram 9 minutos e 51 segundos dos 12 minutos e 30 segundos disponíveis por bloco, o equivalente a 78,8% do tempo destinado à disputa presidencial.

A diferença de tempo pode ter peso estratégico em uma eleição na qual Lula e Flávio Bolsonaro aparecem como os principais nomes na disputa nacional.

Não é apenas o horário eleitoral

Além dos blocos tradicionais, os candidatos também terão inserções de 30 e 60 segundos distribuídas ao longo da programação das emissoras.

No caso da eleição presidencial, Lula terá 433 inserções de 30 segundos durante o período eleitoral. Flávio Bolsonaro terá 339, Ronaldo Caiado terá 160 e Augusto Cury, 47.

Essas inserções são consideradas importantes porque aparecem durante a programação normal das emissoras, alcançando o eleitor fora do horário específico dos blocos eleitorais.

Ao todo, as emissoras deverão reservar 70 minutos diários para inserções eleitorais, distribuídas entre as diferentes disputas.

A televisão pode mudar a fotografia da eleição?

Essa é uma das principais perguntas para as próximas semanas.

A propaganda eleitoral não determina sozinha o resultado de uma eleição. Mas oferece aos candidatos uma oportunidade de apresentar sua versão dos fatos diretamente ao eleitor, especialmente para aqueles que possuem maior tempo de exposição.

Para Lula, o desafio será utilizar o maior espaço para defender o governo, apresentar realizações e tentar ampliar sua vantagem.

Flávio Bolsonaro terá uma quantidade significativa de tempo para apresentar sua candidatura, reforçar o discurso da direita e buscar ampliar o eleitorado ligado ao bolsonarismo.

Caiado terá uma oportunidade de apresentar uma alternativa aos dois principais polos da disputa, enquanto Augusto Cury tentará transformar seus 35 segundos por bloco em uma mensagem objetiva para alcançar o eleitor.

Os candidatos sem tempo terão outro desafio

Para os sete presidenciáveis que ficaram fora do horário eleitoral gratuito, a campanha deverá depender ainda mais das redes sociais, entrevistas, debates, eventos, imprensa e mobilização dos próprios partidos e apoiadores.

É justamente nesse ponto que a eleição de 2026 apresenta uma característica diferente de campanhas anteriores.

Se no passado o rádio e a televisão eram praticamente indispensáveis para a construção de uma candidatura nacional, hoje as redes sociais permitem que candidatos com pouco ou nenhum tempo de televisão alcancem milhões de pessoas.

A disputa, portanto, não será apenas por minutos no rádio e na televisão. Será também pela capacidade de transformar esses minutos em conteúdo que repercuta fora deles.

Uma nova etapa da corrida presidencial

A partir de sexta-feira, o eleitor começará a receber diariamente mensagens diferentes dos candidatos.

Será também o momento em que as campanhas precisarão transformar discursos políticos em comunicação eleitoral: propostas, críticas aos adversários, balanço de governos e, principalmente, argumentos capazes de convencer quem ainda não decidiu o voto.

Com pouco mais de um mês até o primeiro turno, cada minuto de televisão e cada inserção no rádio passam a ter valor estratégico.

A campanha entra, definitivamente, em uma fase em que comunicação, estratégia e voto começam a se encontrar.

E, em uma eleição marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, a propaganda eleitoral poderá ser um dos principais instrumentos para tentar alterar a atual fotografia da corrida presidencial.

A partir de sexta-feira, o eleitor não verá apenas candidatos nas redes sociais. Eles estarão também dentro de sua casa, no rádio e na televisão. E começa, agora, uma das etapas mais importantes da eleição de 2026.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dados oficiais de distribuição do horário eleitoral.


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