Jornalistas são presos, cidadãos intimidados e denúncias de desaparecimentos preocupam entidades internacionais

A situação da democracia e dos direitos humanos na Venezuela se deteriora rapidamente. Denúncias confirmadas por entidades nacionais e internacionais apontam que o regime venezuelano intensificou a perseguição contra jornalistas, opositores políticos e cidadãos que manifestam posições contrárias à ditadura, instaurando um ambiente de medo, censura e repressão generalizada.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP), ao menos 14 jornalistas e profissionais de comunicação foram detidos recentemente enquanto realizavam cobertura jornalística de eventos políticos em Caracas, incluindo a sessão de abertura da Assembleia Nacional e a cerimônia oficial de posse de Delcy Rodríguez.

Repressão parte do alto escalão do regime

As denúncias indicam que as ações repressivas ocorrem sob ordens diretas do núcleo do poder, liderado por Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, que assumiu papel central no comando político do país. O governo afirma que os jornalistas presos teriam “violado” uma proibição que impedia gravações, transmissões ou registros fotográficos de atos oficiais.

Para entidades da imprensa e organizações de direitos humanos, essa justificativa não passa de um pretexto para censura e intimidação, caracterizando criminalização do jornalismo independente.

Prisões arbitrárias e intimidação da imprensa

Além das detenções, há relatos confirmados de confisco de equipamentos, apreensão de celulares, interrogatórios sem garantias legais e deportação de jornalistas estrangeiros. Fontes ligadas a sindicatos e organizações independentes também informam que alguns profissionais chegaram a ficar incomunicáveis, levantando preocupações sobre desaparecimentos temporários sob custódia estatal.

Perseguição vai além da imprensa

A repressão, no entanto, não se limita aos jornalistas. Organizações de direitos humanos denunciam que pessoas com posições políticas contrárias à ditadura venezuelana também estão sendo sistematicamente perseguidas. Ativistas, lideranças comunitárias, políticos de oposição, apoiadores de movimentos democráticos e cidadãos críticos ao regime relatam prisões arbitrárias, intimidações, vigilância constante e processos judiciais com acusações genéricas.

Essas práticas têm como objetivo silenciar qualquer forma de dissidência política, reforçando o controle autoritário do Estado e sufocando o debate público.

Histórico de censura e violações

Relatórios de entidades internacionais como Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e o Committee to Protect Journalists (CPJ) confirmam que a Venezuela mantém um histórico recorrente de violações à liberdade de imprensa, com fechamento de veículos, bloqueio de sites jornalísticos e uso de acusações como terrorismo e ameaça à ordem pública para justificar repressões.

Somente ao longo do último ano, mais de 20 jornalistas foram detidos no país, evidenciando que a atual ofensiva faz parte de um padrão sistemático de repressão estatal.

Ataque direto à democracia

Especialistas afirmam que o cenário venezuelano reflete características típicas de um regime ditatorial, onde informar, opinar ou se posicionar politicamente contra o governo se tornou uma atividade de alto risco. A perseguição à imprensa e à oposição representa um ataque frontal à democracia, à liberdade de expressão e aos direitos civis básicos.

Apelo à comunidade internacional

Diante da gravidade das denúncias, cresce a pressão para que organismos internacionais, como a ONU, a OEA e entidades globais de defesa da imprensa, exijam explicações do regime venezuelano, cobrem a libertação de jornalistas e opositores detidos e pressionem por garantias mínimas de direitos humanos.

Enquanto isso, a Venezuela segue mergulhada em um cenário onde discordar do regime virou crime — e onde informar a população pode custar a liberdade.